1
SCHENBERG, Mario. Sem Título, EUA, 1940
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

2
Mario Schenberg na Universidade de São Paulo, USP, s/d.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

3

Mario Schenberg s/d.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

4
Mario Schenberg, 1952.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

5
Mario Schenberg comendo, s/d.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

6
Mario Schenberg (Bacharelado em Matemática), 1936, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

7
Prof. Mario Schenberg ao lado do Prof. Paulo Leite Lopes, década de 80.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

8
Mario Schenberg em Kyoto, 1965.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

9
Mario Schenberg ao lado de Mario Gruber e Ludes Cedran, s/d.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

10
Mario Schenberg ao lado da crítica de arte Maria Eugênia Franco, s/d.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

11
GRUBER, Mario. Mario Schenberg, 1978.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

12
Mario Schenberg em meio a seus quadros, s/d.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

13
Mario Schenberg (como Paraninfo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências, década de 50).
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

14
Mario Schenberg lendo na época em que estava preso, década de 60.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

 

15
Selo dos livros da coleção Arte e Ciência.
Acervo do Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes – ECA/USP

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Oficina de Escrita Criativa na FLIParanapiacaba

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Centenário Mário Schenberg

No dia 09 de setembro, às 16h, Bloco A – sala 311-2 – Campus Santo André, estaremos comemorando o Centenário Mario Schenberg, promovido pelo Grupo de Pesquisa e Extensão ABC das Diversidades, da UFABC.

Teremos a convidada Drª Alecsandra Matias de Oliveira. Possui graduação em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (1995), mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2003) e doutorado Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (2008). Atualmente é especialista em cooperação e extensão universitária da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Artes e Comunicações, com ênfase em História da Arte e Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: museus, arte, história da arte, arte brasileira, história e crítica de arte.

http://www5.usp.br/16901/mario-schenberg-um-fisico-no-caminho-da-arte-brasileira/

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Pré-mesa da FLIParanapiacaba na UFABC em São Bernardo do Campo

No dia 8 de agosto, aconteceu a segunda pré-mesa de debate da FLIParanapiacaba na UFABC, campus São Bernardo do Campo, com o tema “Violência & Literatura”. Participaram os escritores Helio Neri, Vinícius Canhoto, Rubens Jardim, Kiusam de Oliveira, José Geraldo Neres, Conceição Bastos e Andrea Paula Dos Santos.

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Outras fotos podem ser vistas na página do Facebook do ABC das Diversidades: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.675515342536764.1073741827.268233189931650&type=1

Esse evento foi uma amostra da feira literária que vai acontecer na Vila de Paranapiacaba nos dias 4, 5, 6 e 7 de setembro, ESPERAMOS TODOS VOCÊS LÁ!

Mais informações sobre a programação no site do evento:
http://fliparanapiacaba2014.wix.com/fliparanapiacaba#!sobre-1/c1nfx

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Exposição História Mestiças

Exposição Histórias Mestiças traz à tona tema de dúvidas que existe discretamente entre brasileiros. Como: “Quem mestiçou quem?” “Quais são as diferentes histórias escondidas nesses processos de mestiçagem?”, entre outras perguntas. A mostra é composta de artefatos, máscaras africanas e indígenas, fotos, documentos e vídeos, entre outros, de 60 importantes acervos nacionais e internacionais. Disponível até 5/10 com entrada franca, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

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Mais informações: http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/exposicoes/historias-mesticas/

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Oficina Escrita Criativa

Dia 29 de julho, terça-feira, começa a Oficina Escrita Criativa, que vai até dia 26 de agosto. Serão 4 encontros, quinzenalmente, terças-feiras, das 14 às 17 horas, na sala Memória dos Paladares da Universidade Federal do ABC (UFABC), campus Santo André, 7º andar, torre 3.

A oficina de escrita criativa é oferecida pelo ABC da Escrita Criativa, que por sua vez, faz parte do Grupo de Pesquisa e Extensão ABC das Diversidades e tem como objetivo discutir, estudar e produzir escritas criativas em poesias e literaturas das diversidades, entendendo a linguagem como registro histórico, expressão artística e movimento social.

A oficina de escrita criativa tem como objetivo criar um ambiente acolhedor para estimular as pessoas a se expressarem através da escrita. Os encontros terão exercícios práticos de “brincar com as palavras”, abordando três eixos temáticos: descrição, narração e poética. A oficina é gratuita e aberta ao público. Será emitido certificado de horas aos participantes.

Mais informações: http://abcdaescritacriativa.wordpress.com/

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Oficina de Teatro

No dia 14 de agosto, quinta-feira, começa as atividades do Grupo de Pesquisas Teatrais da UFABC, na sala Memória dos Paladares da Universidade Federal do ABC (UFABC), campus Santo André, 7º andar, torre 3. Serão duas turmas, das 14h às 17h30 e das 19h30 às 22h.

Não é necessário ter experiências anterior. As discussões serão iniciadas com os conceitos básicos. Além das leituras e discussões sobre os textos, serão realizados diversos exercícios teatrais.

Os autores que farão parte da pesquisa inicial são:
– Antonin Artaud
– Aristóteles
– Augusto Boal
– Bertold Brecht
– Constantin Stanislavski
– Dario Fo
– Denis Diderot
– Eugênio Barba
– Jerzy Grotovski
– Peter Brook
– Tadeusz Kantor
– Vsevolod Meyerhold

A oficina tem apoio do ABC das Diversidades, é gratuita e aberta ao público, é só querer e aparecer! Os encontros serão todas as quintas-feiras.

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Com giz, estudantes transformam lousas em obras de arte

“Dois estudantes anônimos têm transformado os costumeiros vandalismos do Columbus College of Art and Design, em Ohio, nos Estados Unidos, em inusitadas e motivadoras obras de arte. Conhecidos apenas como Dangerdust, toda semana a dupla invade uma sala de aula vazia e utilizam giz para criar obras com frases inspiradoras.”

https://queminova.catracalivre.com.br/2014/05/12/com-giz-estudantes-transformam-lousas-de-aula-em-obras-de-arte/

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Com “poesia de rua”, artistas pretendem mudar a relação entre pessoas e cidades

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“Ninguém manda no que a rua diz”. Alguém que esteja um pouco mais atento às imagens ao redor vai dar de cara com essa mensagem colada nos tapumes em frente ao antigo cinema Belas Artes, próximo a uma das mais movimentadas esquinas da cidade de São Paulo. A frase está espalhada também em paredes e muros de outras metrópoles do país, como Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. E ela resume bem um movimento que, se não é novo, se tornou bastante intenso de três anos para cá e explodiu definitivamente em 2013: as interferências de poesias urbanas em espaços pouco dados à reflexão e mais propensos à velocidade e automação do cotidiano.

“É o instante de desvio, é quando no meio daquela loucura das grandes cidades você tem uma pausa para reencontrar você mesmo”, explica Patricia Bagniewski, poeta e integrante do grupo Transverso, que atua mais regularmente nas cidades de Brasília e Rio de Janeiro, com manifestações também em capitais como São Paulo.

É do Transverso a autoria da frase acima e de tantas outras como “Não creia em tudo que lê” ou “Seguro Morreu de Tédio”, reproduzidas sempre em espaços coletivos, ao alcance dos olhos de quem costuma ser pego de surpresa por essas breves cápsulas de sabedoria urbana.

“No Brasil, talvez esse aumento quantitativo de intervenções com textos se dê também em função desses megaeventos que o país está recebendo e que têm transformado as cidades de maneira muito rápida. Esse trabalhos na rua são movimentos de contraposição a tudo isso. E é como se traduz visualmente e discursivamente a experiência urbana e a polifonia das cidades hoje”, opina Carlos Queiroz, geógrafo e coordenador de um grupo de pesquisa sobre poéticas urbanas na Universidade Federal do Espírito Santo.

“A vontade de dar esse tempo mais humano e mais orgânico às ruas é uma demanda que existe desde o começo do processo de industrialização das cidades”, contextualiza Sérgio Miguel Franco, sociólogo que investiga as manifestações de street art no Brasil.

“A rua tem um potencial incrível de comunicação. E por mais que a internet facilite nosso contato virtual com o mundo, a demanda pelo contato real ainda é maior e é a rua quem dará essa experiência. É nesse espaço que acontecem as transformações efetivas. Exemplo recente foram as manifestações de junho. Qualquer artista que queira levantar discussões críticas hoje precisa estar na rua em algum momento”, diz. Sobre o encaixe dessas poéticas urbanas na caixinha da street art, Sérgio afirma que ainda é cedo para avaliar se isso faz parte desse segmento das artes visuais.

Poesia marginal

Distante do grafite em proposta estética, essa manifestação verbal tem herança forte em ações bem anteriores como a poesia marginal e formalmente é uma espécie de filha das gravuras nas artes plásticas (pelo aspecto da reprodução de uma mesma matriz). Não deixa também de ser um prolongamento natural de trabalhos de décadas passadas que colocaram na mesma panela ativismo, arte e poesia, sendo alguns de seus expoentes Cildo Meireles, Juan Brossa, Paulo Bruscky e Hélio Oiticica.

Hoje, essencialmente, a nova poética urbana nasce quase sempre de uma necessidade de artistas ou mesmo de cidadãos sem grandes pretensões em jogar nas ruas mensagens ou versos que desacelerem um pouco o ritmo industrial com o qual as grandes metrópoles se acostumaram a viver.

“No meu caso, essa vontade começou depois que assisti ao documentário do Banksy (“Exit Through the Gift Shop”). O filme me serviu para desmistificar algumas coisas e a principal delas era a de que dava para fazer coisas na rua sem necessariamente precisar ser artista”, revela o jornalista Dafne Sampaio, autor de uma quadrinha bastante vista em paredes da cidade de São Paulo, mas também já reproduzida em outras capitais como Fortaleza e Recife: “Você Praça/Acho Graça/Você Prédio/Acho Tédio.”

Em comum com praticamente todos os trabalhos versados que se espalham intensamente por esquinas, pontos de ônibus e postes, quase sempre via lambe-lambes, stencils ou mesmo canetas-piloto, a iniciativa de Dafne tem pelo menos quatro pontos: a acessibilidade (qualquer um pode colar suas ideias nas ruas), a diluição da autoria (muitos dos trabalhos são feitos para que sejam reapropriados pela população), o desapego financeiro (eles podem até vir a ganhar dinheiro com isso, mas essa não é a intenção inicial) e, principalmente, o debate que todos eles geram sobre a ocupação dos grandes centros urbanos.

Espaço de respiro e crítica

“Nossas principais preocupações são discutir a cidade em seus mais diversos contextos”, avalia Marcelo Terça-Nada, designer que, ao lado da artista Brígida Campbell, faz parte do grupo Poro, bastante atuante em Belo Horizonte.

“O nome ‘Poro’ tem a ver com isso. Porque o que criamos são espaços de respiro no tecido urbano. O ambiente urbano é muito dominado pelo discurso da publicidade, que detém a hegemonia do espaço simbólico. É como se você estivesse criando pequenas rachaduras nessa hegemonia, um espaço de crítica que não vai te vender nada”, resume ele, cujos trabalhos com Brígida incluem intervenções como faixas espalhadas por BH onde se lia mensagens do tipo “Perca Tempo”, “Veja Através” ou “Enterre sua TV”.

Cidade humanizada

Bem menos imperativa, a artista Laura Guimarães, autora do projeto Microrroteiros da Cidade, que espalha poesias em lambe-lambes coloridos por São Paulo descrevendo situações bastante triviais, garante que a ideia de seu trabalho é tentar sempre “humanizar um pouco mais a cidade”.

“Meus primeiros trabalhos aconteceram quando rolou a Lei do Cidade Limpa aqui em São Paulo. Não foi tão pensando para ser uma resposta a isso, mas o fato é que aconteceu justamente nessa época. Tanto que, no começo, eu colava e pintavam de cinza”, diz ela, se referindo à lei que entrou em vigor em 2007 com o objetivo de banir a “poluição visual” da cidade de São Paulo.

Sobre a política de proibições, Laura afirma que, fora esses episódios no primeiro momento do Cidade Limpa, nunca teve problemas em colar seus versos pela cidade. “Já aconteceu muito de policial me ver colando e desviar o olho pra fingir que não viu. Não sei se é porque sou mulher ou se porque são esses tipos de textos, mas até hoje só tive respostas boas.”

As respostas, aliás, são os fatores que possivelmente mais estimulam esses novos poetas (dos) concretos. “No começo eu achava que poderia publicar meu poemas em livros, mas depois me dei conta de que a rua é o melhor lugar pra ter uma resposta mais direta do meu trabalho”, conta o jovem poeta paulistano Base Luna que, no seu braço, tem tatuado um famoso verso de Paulo Leminski espalhado pelas ruas de Curitiba nos anos 1980: “Palpite. O grafite é o limite”.

Base, como é chamado pelos amigos, se diz produto de tudo o que ele tem observado pelas cidades nos últimos anos. É confessadamente inspirado no trabalho de Laura e, em um plano maior, não deixa também de ser legatário de gente como Binho e sua Postesia (poemas grudados em postes), que começou nos anos 1990, e do mais recente “terrorismo poético” dos lambe-lambes de Maicknuclear.

Caminho sem volta

A profusão dessas mensagens tem sido tão presente e urgente nas ruas que elas começam agora a dar corpo para iniciativas de marketing que se apropriam de todos os elementos estéticos e formais dessas iniciativas. Exemplo recente disso foram lambe-lambes espalhados por todo o país com a frase “No futuro o amor e a liberdade serão como num filme”. Ainda que a colagem não tivesse assinatura, rapidamente parte da população entendeu que se tratava de uma propaganda do filme pernambucano Tatuagem.

Artista plástico com trabalho reconhecido por importantes galerias, Mozart Fernandes garante que a rua lhe dá um retorno que nenhum espaço privado poderia lhe entregar: “O legal da rua é que tem tolerância pra todo mundo”. Autor de uma série de pinturas espalhadas pela cidade de São Paulo com a legenda “Foda-me com Amor” (máxima, aliás, cravada em sua aliança de casamento), ele é categórico em afirmar que essa explosão de intervenções poéticas em espaços públicos é agora uma locomotiva sem freios. “Esse é um caminho sem volta. Diante da verticalidade das cidades, as pessoas precisam ver algo nessa linha do horizonte do olhar delas. E verão cada vez mais”.

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Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2013-12-15/com-poesia-de-rua-artistas-pretendem-mudar-a-relacao-entre-pessoas-e-cidades.html, acessado em 29/06/2014.

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Retrato da palavra

Organizado por Clariana Zanutto e Gustavo Ranieri

Assim como as histórias, que são capazes de se manter intactas na memória ao longo dos anos, as paisagens têm também a capacidade de influenciar olhares, expressões e movimentos, ainda que se modifiquem com o tempo e com a intervenção humana, mais do que isso, a cada instante, os lugares – dos inacessíveis aos comuns – transbordam reflexões, impregnam lembranças e levam os escritores a transformá-los em versos, contos, crônicas e romances. Foi assim com os seis autores que inspiraram este especial fotográfico aqui. A partir de trechos das obras de Oswald de Andrade, Clarice Lispector, Mario Quintana, Jorge Amado, Manuel Bandeira e Rachel de Queiroz, seis fotógrafos retrataram a paisagem recorrente nos livros desses consagrados escritores, buscando a essência de cada um respectivamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza. O resultado dispensa explicação. Afinal, como tudo o que é bom, basta sentir.

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“Esta foto tem o clima perfeito do livro Capitães da Areia, de Jorge Amado. Considero um retrato autêntico da Bahia.”
Christian Cravo

Desde pequenos na arriscada vida da rua, Os Capitães da Areia eram como homens, eram iguais a homens. Toda a diferença estava no tamanho. (…) Quando outras crianças só se preocupavam com brincar, estudar livros para aprender a ler, eles se viam envolvidos em acontecimentos que só os homens sabiam resolver. Sempre tinham sido como homens, na sua vida de miséria e de aventura, nunca tinham sido perfeitamente crianças. Porque o que faz a criança é o ambiente de casa, pai, mãe, nenhuma responsabilidade. Nunca eles tiveram pai e mãe na vida da rua.
E tiveram sempre que cuidar de si mesmos, foram sempre os responsáveis por si.
Jorge Amado
do livro Capitães da areia

 

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“Em sua afinidade com o mar, Clarice fazia sobressaltar na experiência cotidiana sua rotina de insônia e cumplicidade com a natureza. E lá estava eu, às 6h da manhã, sob a brisa para tentar captar sua alma ao vento no olhar de Copacabana.”
Gustavo Pedro

O mar. Tenho deixado de ir ao mar por indolência. E também por impaciência com o ritual necessário: barraca, areia colada por toda pele. (…) Tenho uma conhecida que mora na Zona Norte (…) e prometi que ela viria em casa para entrarmos no mar às seis da manhã. Por quê? Porque é a hora da grande solidão do mar. Como explicar que o mar é o nosso berço materno mas que seu cheiro seja todo masculino; no entanto berço materno? Talvez se trate da fusão perfeita do masculino com o feminino. Às seis horas da manhã as espumas são mais brancas.
Clarice Lispector
O mar de manhã
do livro Crônicas para jovens do Rio de Janeiro e seus personagens

 

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“O Recife de Manuel Bandeira é um espaço subjetivo, sensorial e emotivo, ao buscar o Recife dele, acabei por encontrar o Recife em mim. Esse foi meu alumbramento.”
Rafael Lage

Recife
Não a Veneza americana
Não a Maurisstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois –
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
(…)
Atrás de casa ficava a rua da Saudade…
… onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da rua Aurora…
… onde se ia pescar escondido
Capibaribe
(…)
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Manuel Bandeira
Evocação do Recife
do livro Melhores poemas de Manuel Bandeira

 

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“A luz do outono é especialmente suave, valoriza as cores da natureza e faz com que as imagens sintonizem melhor com as palavras do poeta.”
Tânia Meinerz

(…)Basta dizer que era
outono em Porto Alegre
Eu disse ao visitante:- Está vendo?
As cores não se misturam:
tudo parece recortado
a tesourinha no horizonte.
A paisagem de Porto Alegre
é anterior ao impressionismo.
Ele agachava-se, apertava,
arregalava os olhos,
concordava com tudo.
E, de regresso ao Rio, escreveu:
“Como eles não têm nada que
mostrar; gabam os crepúsculo!”
Mario Quitana
O mesmo assunto
do livro Caderno H

 

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“A Rachel de Queiroz escreveu nas páginas de sua obra, entre o sertão e o mar, seu povo e seu lugar. Assim como ela, os jangadeiros escrevem as suas histórias de vida na areia e nas ondas do mar.”
Tiago Santana

E convocou os jangadeiros da praia,
os donos das aves de pau, com asas brancas de pano,
Os leva e traz da terra e mar…
E, no meeting que as ondas aplaudiam,
Batendo palmas na areia branca,
Ouviu-se a jura solene:
Nunca mais a sombra preta de um cativo
mancharia a consciência branca de suas velas!
(…)
Os jangadeiros juraram
e cumpriram o juramento,
e foi assim que acabou o vaivém trágico da mercadoria negra…
Rachel de Queiroz
Nascimento
do livro Mandacaru

 

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“O Minhocão aos domingos se transforma em passeio público. E na ocupação pedestre do centro da cidade, encontro a relação um tanto difusa dos desejos de cada um.”
Feco hamburger

Numa manhã doirada da cidade, encontro Daisy na Rua 15, esquina do Largo do Tesouro.
Despedimo-nos depois da ligeira conversa. Olho para trás e vejo seu chapéu flutuar descendo a Rua 15.
Sigo-a sem saber até hoje por quê. Ela atravessa a Praça Antônio Prado, desde a Avenida São João, envereda pela Rua Anhangabaú por debaixo do Viaduto Santa Ifigênia. Acompanho-a de perto, agora interessado. Ela para à porta de uma das casas amarelas e iguais que defrontam o Cassino Antártica. Esbarra num moço que vem saindo. Entra sem olhar para trás.
Eu abordo o moço e pergunto quem mora ali. – “É uma pensão de rapazes”.
Oswald de Andrade
do livro Um homem sem profissão

 

Fonte: Clariana Zanutto e Gustavo Ranieri. Retrato da Palavra em Revista da Cultura, edição 48, julho de 2011.

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